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 Sem necessidade de amor

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ao_quadrado
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MensagemAssunto: Sem necessidade de amor   Qui Jan 12 2012, 10:13

Título: Sem necessidade de amor

Gênero: Romance, Comédia
Classificação: +18
Avisos: Linguagem imprópria, insinuações sexuais, nudez, uso de substâncias ilícitas, homossexualismo
Autor: ao_quadrado

Sinopse: Tudo era muito normal na vida do britânico Daniel Thompson, até que entra em cena o hedonista modelo Alex Dodson, virando tudo de cabeça para baixo e colocando-o em situações imprevisíveis, contando sempre com a presença de amigos que topam viver as experiências mais intensas possíveis.
Para esses jovens, o limite é inexistente e a vida é só mais um jogo.


Capítulo 1

Eu estava sentado na última carteira do canto direito da sala, a mais afastada, perto da janela, com os óculos escorregando pelo meu nariz levemente adunco e fino e com meu cabelo cor de palha cobrindo quase todo meu rosto propositalmente. Uma figura medíocre atrás dos livros de física, excluído e alheio ao resto da turma do segundo ano, como uma formiga estudiosa no meio de cigarras nojentas e efusivas, absolutamente entediado, na minha “bolha”, até que ele adentrou o ambiente...
E foi exatamente como nos filmes e seriados: o rapaz desconhecido, alto e bonito entrou na sala e o silêncio dominou a todos no mesmo instante. Meninos e meninas, os 35 alunos da sala, antes em polvorosa, agora estavam concentrados em apenas uma coisa: observá-lo, estudando cada micro movimento que fazia.
-Bem, classe, esse é Alex Dodson, nosso novo aluno, recentemente transferido dos Estados Unidos! – A professora falou, animada – Sejam gentis! – e deu uma piscadinha para uma rodinha de meninas.
-Ora, ela nem precisa falar. Eu serei muito mais do que gentil com ele! – Ângela Harris comentou maliciosamente com uma amiga, no meio dessa rodinha.
-Só espero que ele aguente a gentileza sua e minha! – Fran Guèrre piscou para Ângela e as duas começaram a rir histericamente.
Suspirei em total desaprovação.
Provavelmente ele deveria ter sido um dos populares em sua antiga escola e mais uma vez ele será a atração principal. Estou até vendo as manchetes no jornal do Instituto Educacional McGilles: “Conheçam Alex Dodson, o novo prodígio do críquete e arrasador de corações”. E as menininhas do primeiro ano soltam suspiros apaixonados enquanto beijam a foto na primeira página.
Uau...
E eu estava correto, em partes, pois as meninas começaram a se arrumar e convidá-lo a sentar entre elas, mas para minha surpresa e total desespero, ele recusou e escolheu sentar em um lugar nem um pouco convencional para os ultra-mega populares: bem na minha frente.
-Com licença. Espero que não se importe com a minha presença aqui. – E sorriu gentilmente, mostrando os dentes excessivamente brancos.
Primeiramente olhei por cima dos óculos, procurando saber se ele realmente estava falando comigo, e de fato ele estava, afinal, com a mesa que não poderia ser. Só por segurança apontei o dedo para mim mesmo, e ele fez que sim com a cabeça, sorrindo ainda mais:
-Alguém já está sentado aqui?
E, antes que eu pudesse responder, Ângela levantou-se do seu lugar e meteu-se no caminho, passando a mão sedutoramente pela cabeleira ruiva e bem hidratada:
-Ah, venha sentar-se comigo, Alex! – Ela segurou sua mão - O Danny não é uma companhia muito boa, sabe?! Ele meio que não gosta de estranhos perto dele, porque está sempre estudando e prestando muita atenção às aulas, e ele não é muito comunicativo, não é “Dannyzinho”? – E deu um sorrisinho amarelo para mim.
Corei. E me senti um lixo perto daquelas pessoas reluzentes.
-Na-não tem ninguém ai...
-Ah, então ok. – Ele acomodou-se na cadeira, ignorando completamente a presença de Ângela.
Devo dizer que ele tinha subido no meu conceito... E o perfume dele era bom.


XXX
Alex Dodson à parte...
Meu nome é Daniel Thompson, tenho 16 anos e sou um estudante secundário comum. Bom, não exatamente comum, pois sou o aluno bolsista mais pobre do colégio.
E minha situação é a seguinte: o fato de eu não pagar nenhum centavo de mensalidade já me faz uma criatura bizarra, mas o fato de eu não morar em uma cobertura duplex ou em uma mansão de quatro andares com direito a elevador privativo e frigobar no banheiro faz de mim a maior aberração de todas. Especialmente pelo fato de que TODOS os alunos se vestem com grifes internacionais para irem à escola (isso porque o uniforme é “obrigatório”), desfilam com os celulares mais modernos e legais de todos os tempos, aparecem a todo o momento em capas de revista por terem bebido demais ou por terem feito algo de inútil em alguma balada, gastam milhares de libras em uma calça jeans, etc etc.
Exatamente o contrário de mim...
Até agora a impressão dada é de que sou um pobretão amargurado que vive debaixo da ponte mais próxima. Não, nada disso: eu sou uma pessoa NORMAL que vive com a avó descolada, já que meus pais morreram há dez anos, num sobrado geminado comum em Notting Hill.
E não me considero feio, o que já é um grande avanço. Na verdade, até que sou bonito. Meu cabelo é liso, na altura dos ombros, muito claro e no momento está repicado e desfiado (por mim mesmo). Meus olhos são azuis, minha boca é meio volumosa e vermelha, e minhas bochechas estão constantemente coradas... E eu sou alto, tenho mais ou menos um metro e oitenta (pelo menos era isso que eu tinha no ano passado, última vez que me medi) e magro.
Meu guarda-roupa é constituído, basicamente, de camisetas gola “V”, blusas básicas de moletom e jeans velhos e meio desbotados e uma skinny preta novinha em folha que eu ganhei.
Desde pequeno eu leio demais e estudo demais, sempre buscando notas bem altas e ganhando bolsas de estudo em escolas boas e caras. Sei que isso parece muito arrogante, mas acho que dou muita sorte na hora dos testes, e minha avó sempre me fez estudar demais (pobre de mim, já sei de onde veio meu caráter antissocial e excessivamente caseiro).
Planos para o futuro? Não, no momento estou sem ideias, talvez a futilidade alheia tenha tirado parte da minha capacidade de sonhar alto e me transformado em um cara pessimista que acabou de arrumar um bico em um pet shop de luxo recentemente aberto no bairro onde estudo (eu gosto dos animais).

XXX

Enfim, o aluno novo estava sentado na minha frente, e todos estavam olhando-o, secando-o e fazendo comentários maliciosos. Alguns poucos corajosos tentavam jogar bilhetinhos, numa trágica tentativa de aproximação, mas ele apenas sorria, pegava os pedaços dobrados de papel e os guardava em algum compartimento do fichário, dando absolutamente nenhuma atenção à frustração alheia.
Aquilo estava sendo muito engraçado. Talvez ele não fosse tão ruim e fútil assim. Talvez ele fosse apenas uma pessoa normal por trás de uma casca dourada. E talvez ele fosse tímido e até recusasse ser a notícia da primeira pagina.
-Com licença novamente. – ouvi uma voz do tipo sedutora e percebi que ele estava falando comigo, cochichando para não chamar a atenção da professora. – Será que você poderia me emprestar o seu caderno? É que eu não estou conseguindo acompanhar.
-Ah, empresto sim. Sem problemas. Mas não seria mais aconselhável pegar o caderno de uma das meninas?
-Não gostaria de ficar devendo favor para elas depois. Posso pegar? – ele fez menção de puxar o meu caderno e, assim que eu o entreguei tive a estranha alucinação de que ele piscara para mim.
Nem preciso mencionar que foi MUITO difícil conseguir me concentrar no resto da matéria. Primeiro porque as meninas ficaram me fulminando com o olhar, segundo que ele sempre virava para perguntar alguma coisa.
Seria bom ter um amigo influente, quem sabe eu poderia deixar um pouco a velha imagem de lado e virar a nova descoberta do colégio, não só como o nerd do ano. Talvez eu até pudesse ser aceito em algum grupo popular e ganhar o título de príncipe do baile de formatura...
-Você está precisando do caderno?
-Ah? – fui bruscamente acordado dos meus devaneios – Não, pode continuar com ele...
-Mesmo? – caramba, eu já não havia dito que não havia problema umas três vezes?!
-Não, pode ficar.
-Acho que eu devia ter sentado com as meninas... Pareço estar atrapalhando... – Alex virou-se para frente, com uma expressão bem desapontada – Foi mal.
-NÃO! NÃO ESTÁ ATRAPALHANDO!
-Senhor Thompson, algo a dizer a respeito de acústica? – a professora falou, aparentando estar bem brava por ser interrompida.
-AHN... Não, não, é que na verdade eu pensei em voz alta. Desculpe-me, não quis interromper.
-Procure manter seus pensamentos dentro da cabeça, Daniel.
E ela continuou a aula, e eu pude ouvir os comentários da sala, coisas do tipo “agora, além de babaca, é pirado” e “por que isso ainda estuda aqui?”. Somente palavras românticas, obviamente, às quais eu já havia me acostumado.

O sinal bateu, anunciando o fim da aula de física. Guardei meu livro na mochila e olhei o horário.
Ótimo! A próxima aula seria nada mais nada menos que educação física na quadra fechada 2, no quinto e último andar.
Estava saindo do meu lugar, emburrado, quando Alex postou-se à minha frente:
-Hey! Eu decididamente devo pedir desculpas a você! – ele estendeu a mão – E eu nem me apresentei direito, né? Alex Dodson, o inferno da sua vida. Prazer!
-Daniel Thompson. Prazer. –Eu ri e apertei sua mão. – E não se preocupe, eu não mordo como disseram.
-Cara, eu fiz você tomar uma bronca. E te infernizei a aula toda! Teria motivos de sobra pra me morder.
-Não se preocupe. Eu não vou morder... E não foi um incômodo, geralmente me infernizam jogando papeizinhos na minha cabeça. Tirar minha atenção definitivamente não está na minha lista de torturas.
-Caramba. – Ele refletiu por um segundo - Então, você poderia me ajudar com as matérias, horários das aulas, essas coisas por enquanto? Eu pego bem o ritmo, mas, até me acostumar com a cidade nova, clima novo, escola nova... Eu gostaria de poder contar com a sua ajuda, se não for muito incomodo, é claro. E você tem cara de quem presta atenção nas coisas.
-Ah, sem problemas. Educação física é a próxima aula.

Estudar numa escola de cinco andares não é nada fácil, acreditem, especialmente se você estiver em uma sala do primeiro andar e tiver que ir correndo para a aula de educação física no último piso, e com um dos elevadores em manutenção!
Mas, pela primeira vez, o trajeto foi bem legal.
Alex era exatamente o contrario do que eu havia imaginado primeiramente. Ele não era metido, era muito simpático e parecia ser muito culto. E, além de tudo, tinha jeito de modelo internacional. O tipo de cara que você invejaria.
-Você sempre estudou aqui, Daniel?
-Hum... Eu estudo aqui há uns três anos.
-E você não tem nenhum amigo? Sem ofensas, mas aguentar toda a zoação sem ninguém pra te consolar ou defender deve ser insuportável. Eu ia querer socar todo mundo!
Dei risada do comentário.
-Eu já acostumei. Pra escola toda eu sou apenas um micróbio infeccioso pra quem pedem para fazer algum trabalho em troca de um convite para festa ou por algum dinheiro. Admira-me que VOCÊ venha falar comigo!
-Ah, eu achei que você quem não ia querer falar comigo, ainda mais depois do que aquela garota disse...
-O que a Ângela disser, ignore. Ela vai fazer de tudo pra dar pra você, então, a menos que você queira, ignore-a. Vale para o resto das meninas da sala.
-Valeu pelo aviso. – e ele riu. – Acho que eu vou aproveitar bem minha vida escolar aqui.
Neste ponto estávamos no vestiário, e eu estava tirando minha camiseta branca para colocar a camiseta cinza do uniforme.
-Hum, eles me emprestaram uma camiseta e uma calça de moletom pra aula hoje, já que eu me esqueci de comprar o uniforme de educação física.
-O meu uniforme é emprestado pela escola, quando terminar o ano letivo vou ter de devolver, graças aos Céus! Mal vejo a hora de me livrar dessa escola maldita. – Falei, prendendo meu cabelo.
-Nossa, quanto ódio.
-Lógico! Cansa ser tratado como um micróbio muito perigoso, sabia?
-Na verdade, eu acho você um micróbio muito interessante, Daniel. – Alex me olhou de cima a baixo, com um olhar que ia além da curiosidade - Não me importaria de ser infectado.
Muito bom. Agora eu estava delirando oficialmente.

Educação Física é uma coisa que podia ser abolida da grade escolar! Como se não bastasse o fato de eu ser uma criatura indesejada, eu era uma negação em qualquer esporte. Além de que a minha cabeça era um imã ambulante de bolas de basquete, vôlei, futebol, handebol...
Depois de ser o último a ser escalado, sentei na arquibancada e fiquei observando o jogo.
Susan, Harry, Mark, Lia e Alex compunham um dos times de vôlei. Coitado do aluno novo, caso ele fosse muito ruim, pois ele havia sido escolhido para a melhor equipe de todas. Um saque errado e seria cruelmente massacrado. Ou talvez não, já que ele estava apto para entrar no clube dos perfeitinhos.
Mas, decididamente, o caso ali estava longe de ser um massacre. Ok, podia ser um massacre, mas para o outro time. Alex sabia sacar, defender, cortar...
Então, fiquei imaginando que ele deveria ser bom em tudo! Que mundo mais injusto. Além de ser quase o príncipe encantado dos sonhos de todas as menininhas, era atleta, inteligente. Só podia ser brincadeira!

-Ai, eu já estou até vendo a cara da mamãe quando eu apresentá-lo como meu namorado! – Fran comentou com a amiga inseparável, Ângela, enquanto dava pulinhos de alegria. – Imagine só o novo garoto propaganda da Calvin Klein almoçando lá em casa no domingo...
-Cai fora, garota! Ele é MEU! – Ângela fez uma cara esnobe - Você acha que ele vai preferir uma loira aguada como você a uma ruiva quente e gostosa como eu!
-Isso se ele não ficar com o bonitão primeiro... – Jason, o garoto mais desejado da escola e também o mais assumido bissexual do universo, falou olhando para mim e dando um risinho de escárnio.
Revirei os olhos e levantei para me afastar daqueles seres estúpidos.
Foi o tempo exato para a bola me atingir em cheio no rosto.
-Ouch.
E tudo ficou escuro de repente...


Capítulo 2

-Coitado... O óculos foi quebrado ao meio. Ele deve ter desmaiado pelo impacto da bolada. Foi você que jogou?
-Sim, eu não tinha noção de que ia bater nele, e não percebi que tinha colocado tanta força no saque... Mas não houve nenhuma fratura nem nada grave, certo?
-Não, não ocorreu nada além de uma forte pancada que causou a tontura. O médico o examinou, tirou um raio-x e o medicou com analgésicos. Está tudo certo. O ruim é que vai ficar um hematoma na testa por uma semana pelo menos... Vocês têm que tomar mais cuidado quando forem jogar bola!
Abri meus olhos lentamente, procurando focar o teto branco acima e identificar de onde provinham as duas vozes. Meu nariz ainda doía.
-Ai minha cabeça. – grunhi.
-Hey! – ouvi uma voz perto de mim. Tentei abrir novamente meus olhos, mas ao invés de visualizar a imensidão branca do teto, pude ver um par de olhos azul-piscina.
-Hey. – Nada melhor do que acordar e dar de cara com Alex Dodson.
-Cara, me perdoa! Eu não imaginei que a bola ia ser tão forte! E nem muito menos que ia bater em você!
-Hum, está tudo bem. Não foi nada grave. Eu desmaiei na hora, mas depois o médico me examinou e falou que eu estava intacto. Aí ele receitou uns remédios pra dor de cabeça e mandou que ficasse sentado na enfermaria, mas depois de um tempo eu fiquei com sono e dormi.
-As aulas já acabaram. Você dormiu por um bom tempo. E por sua causa tive de aguentar Ângela Harris e sua gangue atrás de mim. – Ele estava perto demais agora. - Fique sabendo que eu não costumo perdoar. – E passou a língua pelos lábios lentamente.
Ouvi a voz da enfermeira se afastar. De repente senti como se algo estivesse se revirando no meu estômago e minhas entranhas estivessem sendo apertadas.
-Ops, algo me diz que estamos sozinhos nesta enfermaria. – ele deu um sorriso lascivo, totalmente diferente daquela carinha meiga e angelical de até milésimos antes - Agora me diga senhor Thompson. Como vai me pagar pela intensa perturbação?
-Ahh. Eu não sei do que está falando. – comecei a sentir o pânico brotando em mim, espalhando-se pelas minhas veias, infestando meu organismo. Agora ele estava perigosamente perto DEMAIS.
-Eu exijo um pagamento. Com juros... – Ele estava com as mãos na cama onde eu estava deitado, uma de cada lado do meu corpo, segurando meus braços e me mantendo imóvel e tenso. Seu rosto estava a milímetros de distancia do meu, e eu podia sentir seu cabelo macio e cheiroso roçando minha orelha. Tentei me mover enquanto sua boa encostava-se à minha...
-Com licença senhores, hora do senhor Thompson voltar para casa! Seu check up mostrou que está tudo certo, então, hora da alta! – A sorridente enfermeira voltou e numa fração de segundo, Alex estava em pé olhando e sorrindo inocentemente, como se nada tivesse acontecido.
-Ah, claro! Que boa noticia, não acha Daniel!? – ele respondeu, passando a mão pelos cabelos e sorrindo para mim. E eu tive medo daquele sorriso, que naquele momento podia esconder as mais diversas mensagens subliminares, embora parecesse terrivelmente inocente. – Eu o levarei para casa, não se preocupe senhora Jones.
A enfermeira sorriu aliviada por eu estar em aparentes boas mãos.
-Ah, que ótimo! Thompson, seus pertences estão aqui. O senhor Dodson já os trouxe. Já avisamos sua responsável do ocorrido, e ela terá de vir mais tarde assinar o protocolo dos exames, certo?
-Ah, certo.
Levantei-me com certa dificuldade por causa da tontura, que ainda não havia se dissipado por completo (malditos analgésicos), então Alex me segurou pela cintura.
-Eu ajudo.
-Não precisa, obrigado! – Fui pegar minha mochila, mas ele não deixou e ainda me apertou mais de encontro a ele.
-Já falei: eu ajudo.
Engoli em seco, tentando não fazer qualquer tipo de barulho que pudesse denunciar meu estado de pânico, e saí acompanhado por aquele monstro psicótico com distúrbio de personalidade. E ainda deu tempo de ouvir a enfermeira falar:
-Oh, tão prestativo!
Prestativo até demais...

Andar pelos corredores da escola sendo praticamente carregado foi uma experiência bem desagradável. Primeiro porque ele parecia estar se divertindo com o meu sofrimento, segundo porque todos estavam olhando pra gente (ou melhor, todos estavam se perguntando por que diabos aquela “perfeição” estaria me abraçando).
-Sabe, eu fiquei realmente preocupado com você, Daniel! Apesar de ouvir bastante da Ângela e daquele tal de Jason que eu não deveria me preocupar, já que você tinha cabeça oca e que não havia nada para ser quebrado.
-Hum, eles são tão agradáveis.
-Concordo, mas concordo ainda mais com o que eu havia dito sobre ser infectado por um certo micróbio.
-Acho que estou com dor de cabeça, mas não precisa me carregar...
-Ah, relaxa, Danny, é bom que as pessoas te vejam nesse estado, talvez elas se conscientizem que você é apenas um ser humano que precisa de um pouco de atenção.
-Acredite, elas sabem que eu sou APENAS um ser humano.
Enfim, ele me levou até o estacionamento, que era na lateral do prédio, e me mostrou o humilde carro dele.
Nada mais nada menos do que um Chevrolet Impala IGUALZINHO ao do “Supernatural”, aquele que os irmãos Winchester dirigem... Certo... Agora, além de beldade da escola, prodígio no esporte, monstro com séria propensão à psicose, ele tem o meu carro dos sonhos. Só pode ser brincadeira mesmo!
Ele deve ter percebido a inveja emanando por cada poro do meu corpo e deu uma risadinha desdenhosa, me olhando como se ele fosse a última latinha de refrigerante gelado no meio do deserto:
-Você também assiste Supernatural?
-Sim. – falei entre os dentes.
-Ganhei ainda esse ano. É original de 1967 e foi completamente reformado. Entre, eu te levo até sua casa.
Eu estava quase realizando um dos poucos sonhos da minha vida de entrar num carro daqueles (ignorando quem era o dono), quando ouço a “discreta” voz da minha avó:
-QUERIDOOOO! – e ela veio correndo na minha direção. Até aí tudo bem, você deve estar imaginando uma idosa de setenta e poucos anos correndo com uma bengala e sacolinhas de compras do mercadinho mais próximo na mão, certo?
NÃO.
Minha avó é daquelas senhoras que aplicam “botox” toda vez que sobra algum dinheiro da aposentadoria, e digamos que ela é conservada... Ela faz academia, pinta o cabelo de castanho escuro, tem olhos verdes, só come comida orgânica, é bonita, faz aula de natação, yoga, namora rapazes mais jovens (ela é o que chamam de “loba”) e tem 52 anos com corpo de 30. Se não fosse minha avozinha querida... Eca! Esqueça esse comentário...
-Quem é aquela? – Alex perguntou, com um tom de quem estava verdadeiramente surpreso por eu conhecer alguém tão... Exótica.
-É a minha avó. – respondi com indiferença.
-Adoro você, Danny. Sempre me surpreendendo, e olha que ainda é o primeiro dia. – E me deu tapinhas nas costas, estendendo imediatamente a mão para cumprimentar a vovó. – Prazer, senhora. Eu sou Alex Dodson. Amigo do seu neto.
-Oh. – ela se assustou com a interrupção repentina – Prazer! Danny, o que aconteceu?! Eu estava em casa, assistindo um programa interessantíssimo sobre os vulcões da América do Sul quando a secretária da escola me liga avisando que você talvez estivesse em coma, com fratura craniana e sangrando até a morte! – Ela é uma pessoa exagerada, esqueci de acrescentar.
-Ahn... Na verdade... – não tive tempo de explicar.
-Você não está com nenhum coágulo na cabeça, certo? Porque seria muito problemático e...
-O seu neto não teve nenhuma fratura, não se preocupe. E o responsável por isso fui eu, peço mil desculpas, pois na aula de educação física acidentalmente joguei a bola com muita força e acabei acertando o Daniel, que teve um acesso de tontura e náuseas e foi rapidamente levado para a enfermaria. Só! Nenhum coágulo, nenhuma fratura!
-Uau. Que história incrível! Então está tudo bem com você?
-Está tudo ótimo, vovó. Tirando essa marca vermelha na minha testa, está tudo perfeito.
-Não me chame de vovó, faz parecer que eu sou muito mais velha. – E deu um sorriso enorme, mostrando todos os seus perfeitos dentes recentemente clareados, seguido de uma piscadinha para Alex. - Você vai trabalhar hoje à tarde?
-Não, Miranda. – enfatizei bem seu nome - Me deram atestado. Mas, como você veio? De carro?
-Não, meu bem, eu vim a pé, aproveitei para fazer uma corrida. Eu tinha de queimar as cento e vinte e duas calorias das duas fatias de pão de forma integral que eu comi mais cedo...
-Então permitam que eu dê uma carona até sua casa! – Alex passou o braço pelo meu ombro, olhando de um jeito engraçado para minha avó. – Já que as calorias foram queimadas, não há problema em andar um pouco de carro.
-Mas que amigo mais adorável você tem Danny! Ah, se eu fosse vinte anos mais jovem... – ela cochichou pra mim, antes de entrarmos.
E minhas alucinações continuaram, porque eu tenho certeza de que ele ouviu o infeliz comentário e sorriu daquele jeito que me dá muito, muito medo.
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